Foto: Reprodução

Artigo traduzido e adaptado por Juliana Praetorius Buchweitz.

Autor Andy Coghlan, conferir o texto na língua original.
Publicado dia 1 de julho de 2016.

Foram descobertas bactérias em nosso intestino que dependem de um dos nossos produtos químicos do cérebro para a sobrevivência. Estas bactérias consomem GABA, uma molécula crucial para acalmar o cérebro, e o fato de que elas se alimentam desde composto pode ajudar a explicar por que a microbiota intestinal parece afetar o humor.

Philip Strandwitz e seus colegas da Universidade Northeastern, em Boston descobriram um novo tipo de bactéria que habita o intestino, chamada de KLE1738, eles só conseguiram que ela crescesse e se reproduzisse com moléculas de GABA.

Nada fez crescer, exceto GABA” Strandwitz disse enquanto anunciava suas descobertas no encontro anual da Sociedade Americana de Microbiologia em Boston no mês passado.

GABA atua inibindo sinais a partir de células nervosas, acalmando a atividade do cérebro, por isso é surpreendente saber que uma bactéria intestinal precisa dele para crescer e se reproduzir. Ter níveis anormais (baixos) de GABA está ligada à depressão e transtornos de humor, e este achado adiciona à evidência crescente de que nossas bactérias intestinais podem afetar nossos cérebros.

Tratamento da depressão

Um experimento em 2011 mostrou que um tipo diferente de bactérias do intestino, chamada Lactobacillus rhamnosus, podem alterar drasticamente a atividade GABA nos cérebros de ratos, bem como influenciar a forma como eles respondem ao estresse. Neste estudo, os pesquisadores descobriram que este efeito desapareceu quando removido cirurgicamente do nervo vago – que liga o intestino ao cérebro – sugerindo que de alguma forma as bactérias do intestino exercem influência sobre o cérebro.

Strandwitz está agora à procura de outras bactérias do intestino que consomem ou mesmo produzem GABA, e ele planeja testar os seus efeitos sobre o cérebro e comportamento dos animais. Esse trabalho pode eventualmente levar a novos tratamentos para distúrbios de humor como a depressão ou a ansiedade.

“Embora a investigação sobre as comunidades microbianas relacionadas a transtornos psiquiátricos possa não levar a uma cura, ele poderia ter relevância surpreendente para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes”, disse Domenico Simone, da Universidade George Washington, em Ashburn, Virginia.

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