Imagem retirada do site NPR. 

Texto traduzido e adaptado por Juliana Praetorius Buchweitz.

Autor Rob Stain, conferir o texto na língua original.
Publicado dia 18 de novembro de 2013.

Poderiam as¬†bact√©rias¬†que habitam nossos intestinos¬†ajudar a explicar a velha ideia de “instinto?” (no texto original¬†gut feelings, cuja a tradu√ß√£o literal n√£o faz sentido).¬†H√° crescentes evid√™ncias de que as bact√©rias do intestino realmente podem influenciar nossas mentes.

Eu sempre sou, por profiss√£o, um c√©tico“, diz Dr. Emeran Mayer, professor de medicina e psiquiatria na Universidade da Calif√≥rnia, em Los Angeles. “Mas eu acredito que as nossas bact√©rias¬†do intestino afetam o que acontece¬†no nosso c√©rebro.”

Mayer acha que as bact√©rias em nosso sistema digestivo podem ajudar a moldar a estrutura do nosso¬†c√©rebro¬†quando n√≥s estamos crescendo e, possivelmente influenciam nosso humor, comportamento e sentimentos quando somos adultos. “Isso abre uma nova maneira de olhar para a fun√ß√£o cerebral na sa√ļde e na doen√ßa“, diz ele.

Ent√£o Mayer est√° trabalhando em apenas nisso, fazendo exames de resson√Ęncia magn√©tica para olhar o c√©rebro de milhares de volunt√°rios e, em seguida, comparando a estrutura do c√©rebro aos tipos de bact√©rias em seus intestinos.¬†Ele acha que j√° tem as primeiras pistas de uma liga√ß√£o, a partir da an√°lise de cerca de 60 volunt√°rios.

Mayer descobriu que as conex√Ķes entre diferentes regi√Ķes do c√©rebro dependem¬†de quais esp√©cies de bact√©rias s√£o dominantes no intestino de uma pessoa.¬†Isso sugere que a combina√ß√£o espec√≠fica de bact√©rias¬†nos nossos intestinos podem ajudar a determinar que tipos de c√©rebros que temos – como nossos circuitos cerebrais se desenvolvem e como eles est√£o conectados.

Claro, isso não significa que as bactérias estão causando mudanças na estrutura do cérebro, ou no comportamento.

Mas outros pesquisadores t√™m tentado descobrir uma poss√≠vel conex√£o, olhando para as¬†bact√©rias¬†do intestino em ratos. Eles j√° encontraram altera√ß√Ķes nas √°reas de qu√≠mica do c√©rebro e comportamento. Um experimento envolveu a substitui√ß√£o das bact√©rias do intestino de ratos ansiosos com bact√©rias de ratos corajosos.

Os ratos tornaram-se menos ansiosos, mais soci√°veis“, diz Stephen Collins, da Universidade McMaster em Hamilton; Ont√°rio, que liderou a equipe que realizou a pesquisa .

O contrário também funcionou, ratos confiantes tornaram-se tímidos quando colocaram neles as bactérias dos ratos mais ansiosos. E os ratos agressivos se acalmaram quando os cientistas alteraram suas bactérias, alterando sua dieta, alimentando-os com probióticos ou dosando antibióticos.

Para descobrir o que pode estar causando as mudanças de comportamento, Collins e seus colegas mediram a química do cérebro em ratos. Eles descobriram mudanças em uma parte do cérebro que envolve emoção e humor, incluindo aumentos de um produto químico chamado fator neurotrófico derivado do cérebro, que desempenha um papel na aprendizagem e memória.

Os cientistas também tem trabalhado sobre uma questão muito óbvia Рcomo os micróbios do intestino poderiam se comunicar com o cérebro.

Um grande nervo conhecido como o nervo vago, que corre todo o caminho a partir do c√©rebro para o abd√īmen, era o principal suspeito. Quando os pesquisadores na Irlanda cortaram o nervo vago em camundongos, n√£o foi mais poss√≠vel¬†se observar o¬†c√©rebro¬†respondendo¬†as mudan√ßas no intestino.

O nervo vago √© a estrada de comunica√ß√£o entre o que est√° acontecendo no intestino e o que est√° acontecendo no c√©rebro“, diz John Cryan da University College Cork na Irlanda, que tem colaborado com Collins.

As¬†bact√©rias¬†intestinais podem tamb√©m se comunicar com o c√©rebro de outras maneiras, cientistas dizem que, atrav√©s da modula√ß√£o do sistema imunit√°rio ou por produzir as suas pr√≥prias vers√Ķes de neurotransmissores.

Eu estou realmente vendo novas subst√Ęncias neuroqu√≠micas que n√£o tinham sido descritas antes de serem produzidas por certas bact√©rias“, diz Mark Lyte do Centro de Ci√™ncias da Sa√ļde da Universidade Texas Tech, em Abilene, que estuda como os micr√≥bios afetam o sistema end√≥crino. “Estas bact√©rias s√£o, de fato, os¬†microrganismos¬†que alteram a mente.

Esta pesquisa levanta a possibilidade de que os cientistas poderiam um dia criar drogas que imitam os sinais que estão sendo enviados a partir do intestino para o cérebro, ou apenas dar às pessoas as boas bactérias Рprobióticos Рpara prevenir ou tratar os problemas que envolvem o cérebro.

Um grupo de cientistas testou ratos que têm comportamentos semelhantes a alguns dos sintomas do autismo em seres humanos. A ideia é que os probióticos podem corrigir problemas que os animais têm com os seus sistemas gastrointestinais Рproblemas que muitas crianças autistas também têm.

Nos ratos, muitos dos seus comportamentos relacionados ao autismo não estão mais presente ou tiveram uma melhora significante com uso de probióticos, diz Paul Patterson no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, Califórnia. Sua pesquisa será publicada em breve no journal Cell.

Experimentos para testar se mudando as bactérias do intestino em humanos podemos afetar o cérebro estão apenas começando.

Uma equipe de pesquisadores em Baltimore está testando um probiótico para ver se ele pode ajudar a prevenir recaídas de mania entre os pacientes que sofrem de transtorno bipolar.

A ideia √© que estes tratamentos probi√≥ticos podem alterar o que n√≥s chamamos o microbioma e, em seguida, pode contribuir para uma melhoria dos sintomas psiqui√°tricos“, diz F√© Dickerson, diretor da psicologia no Sistema de Sa√ļde Sheppard Pratt.

Faz todo o sentido para mim“, diz Leah, uma participante do estudo que foi diagnosticada com transtorno bipolar. Ela concordou em falar com NPR se concord√°ssemos em n√£o usar seu nome completo. “Seu c√©rebro √© apenas mais um √≥rg√£o. √Č definitivamente afetado por aquilo que se passa no resto do seu corpo.

√Č muito cedo para saber se o probi√≥tico tem algum efeito, mas Leah suspeita que poderia. “Eu estou indo muito bem“, diz ela. “Estou prestes a me formar na faculdade, e eu estou fazendo tudo certo.

Mayer também foi estudar os efeitos dos probióticos no cérebro em humanos. Junto com seu colega Kirsten Tillisch, Mayer deu a mulheres saudáveis iogurte contendo um probiótico e depois digitalizou seus cérebros. Ele encontrou sinais sutis que os circuitos cerebrais envolvidos na ansiedade foram menos ativados, de acordo com um artigo publicado na revista Gastroenterology.

Mas Mayer e outros salientam que muito mais trabalho ser√° necess√°rio para saber se que um probi√≥tico – ou quaisquer outros – realmente poderia ajudar as pessoas a se sentir menos ansiosas ou ajudar a resolver outros problemas que envolvem o c√©rebro. Ele diz: “N√≥s estamos realmente nos est√°gios iniciais.

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